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Aboissa News
6/15/2009: Notícias de Mercado - Seeds & Grains Business Unit(Published by Administrador Aboissa)



Notícias de Mercado


Preços estão próximos dos níveis históricos ao grão
15/06 - 00:00
Ainda não é o recorde, mas os preços da soja estão próximos de atingir suas maiores cotações, registradas em julho de 2008, quando a saca chegou a ser negociada por até R$ 50 em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá). No último dia 9, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a cotação bateu R$ 46, também em Rondonópolis, sinalizando ganhos históricos para os sojicultores no momento em que o câmbio vive sobressaltos.

De qualquer forma, a posição é confortável para o produtor porque na Bolsa de Chicago (EUA) os preços da soja também estão firmes, alcançando patamares históricos: saltaram de US$ 9,44/bushel, na primeira semana de janeiro, para US$ 12,43/bushel (esta semana), valorização de 31,67%. O bushel é um padrão de medida norte-americano que equivale a 27,2154 quilos. Na bolsa de Chicago (Cbot), as cotações aumentaram cerca de 40% desde o início de março. Nesta semana, os contratos futuros com vencimento em julho superaram US$ 12 por bushel, maior patamar em oito meses.

No mercado internacional as cotações têm fechado em alta em função da existência de estoques baixos, queda na produção argentina, demanda chinesa firme mesmo em tempo de crise e problemas climáticos nos Estados Unidos, que dificultam o plantio da safra de verão norte-americana.

Especialistas afirmam que os preços internacionais da soja poderão explodir nesta época do ano por causa da deterioração dos estoques americanos antes da entrada da nova safra do país, no segundo semestre. O risco é elevado por causa dos problemas climáticos que afetaram a safra latino-americana (principalmente na Argentina) que está terminando de ser colhida e da (até agora) forte demanda chinesa. Os estudos apontam que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que os estoques americanos cairão para 3,53 milhões de toneladas no fim do ciclo 08/09, em algumas semanas, mas alguns especialistas acreditam em um volume menor.

Relatório publicado esta semana pelo Imea indica que as irregularidades climáticas na safra argentina resultaram na redução da produção. “Diante desse cenário, o USDA estima que esse país, que é o maior exportador de farelo, terá um decréscimo de 70% em seu processamento. Para suprir a queda de 33% na relação estoque estoque/consumo, o país reduziu em 92% as exportações do subproduto”.

A estimativa do USDA significa que os estoques norte-americanos representarão 4,3% do consumo anual do país, o menor nível em mais de quatro décadas, e qualquer declínio mais acentuado poderá tornar a oferta preocupantemente apertada no país.

Como as exportações americanas seguem acima das previsões do governo dos EUA, os analistas afirmam que há uma clara possibilidade de que o quadro de oferta e demanda fique tão apertado quanto no ano passado, quando o bushel atingiu sua máxima histórica e superou US$ 16.

Estima-se que as cotações poderão atingir entre US$ 12,80 e US$ 13,50 por bushel neste verão [do Hemisfério Norte], impulsionando os preços de outras commodities que competem por área com o grão.

Entretanto, alguns analistas acreditam que os preços da soja estão vulneráveis a reveses como pequenos incrementos na oferta, e que tais reveses podem reverter a tendência. Entre eles, está a possibilidade de a China adiar compras até a próxima safra americana estar à disposição, o que se dará entre outubro e novembro próximos. A China representa quase metade das importações globais de soja, e suas compras aumentaram 36,2%, para 13,9 milhões de toneladas, no primeiro quadrimestre sobre igual período de 2008. (MM)

Diário de Cuiabá



Nova alta de alimentos gera preocupação
Javier Blas, Financial Times, de Londres
15/06/2009
 

Após um ano preocupada com o cofrinho, a economia mundial volta sua atenção para a despensa. Sem alarde, os preços das commodities agrícolas voltaram a subir e já retornaram a níveis observados pela última vez em 2007 e 2008, motivando preocupações sobre uma nova alta nos alimentos.

O aumento nos preços de soja e milho - que já subiram mais de 50% em relação a dezembro passado e atingiram o patamar mais alto em oito a nove meses na semana passada -, e em menor escala do trigo, é respaldado pela forte demanda chinesa e pelo impacto de adversidades climáticas na América do Sul, sobretudo na Argentina.

"Os mercados agrícolas estão bastante nervosos", afirmou Sudakshina Unnikrishnan, analista do Barclays Capital em Londres. "Não estamos no ambiente confortável de excedente de alimentos das décadas de 1980 e 1990".

A cotação internacional do farelo de soja, largamente usado em rações de frangos e suínos, por exemplo, ultrapassou US$ 405 a tonelada, nível só testemunhado por um curto período em 1973 e durante quatro semanas no auge da alta de preços do ano passado. A valorização levou o preço do frango pré-cozido nos EUA ao patamar mais elevado em uma década.

Traders dizem que os fundos de hedge e outros investidores institucionais de grande porte, incluindo fundos soberanos do Oriente Médio, voltaram a despejar recursos no mercado agrícola, ajudando a impulsionar os preços das commodities em meio ao enfraquecimento do dólar americano.

Uma repetição da crise dos alimentos do ano passado, quando preços em forte ascensão desencadearam distúrbios em alguns países, porém, parece improvável. Mesmo depois do salto deste ano, os preços da soja e milho permanecem cerca de 20% abaixo dos picos de meados do ano passado.

O arroz está sendo comercializado a US$ 550 milhões a tonelada, bem abaixo de sua máxima do ano passado, que superou US$ 1 mil. Os preços das carnes bovina e suína e do leite seguem deprimidos, o que ajuda a limitar o potencial de alta nos custos gerais dos alimentos.

A FAO, braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, demonstra relativo otimismo ao afirmar que, "excetuando grandes reveses no cultivo (...), a economia alimentar parece menos vulnerável" a um aumento repentino nos preços. "Apesar de ganhos robustos nos meses recentes, os preços internacionais da maioria das commodities agrícolas estão abaixo dos auges de 2008, em uma indicação de que muitos mercados estão retornando lentamente ao equilíbrio", disse a instituição.

Analistas do setor privado e executivos do setor, porém, estão menos despreocupados. Em um de seus raros comentários públicos, Christopher Mahoney, diretor da Glencore Grain, com sede em Roterdã (Holanda), alertou na semana passada que o abastecimento de algumas commodities agrícolas, como milho e soja, estava "bem apertado". Lewis Hagedorn, analista do JP Morgan em Nova York, avalia que a situação é de ansiedade, mas ainda não de alarme.

"Nos aproximamos de um nível de inquietação em relação a estoques em algumas áreas, apesar de atualmente não estarmos em modo de crise. Não estamos bem preparados, a partir de um ponto de vista do quadro da oferta e da demanda, a absorver nenhuma surpresa relacionada com o clima".

As empresas do setor de alimentos estão adotando medidas de precaução, construindo posições no mercado futuro de commodities para se protegerem contra aumentos de preços adicionais, diz Luke Chandler, diretor de pesquisa de mercados de commodities agrícolas do Rabobank em Londres. "Existe muito mais atenção entre as companhias do setor de alimentos, particularmente depois do sofrimento experimentado na temporada passada", afirma Chandler.

A preocupação imediata é a soja, por seu uso como alimento, mas, sobretudo, por causa das rações animais. O robusto consumo chinês, à medida que a dieta do país passa do consumo de vegetais para a carne, e a quebra da safra na Argentina, o terceiro país maior país exportador do mundo, geraram uma pressão extraordinária sobre o abastecimento dos EUA, remetendo os estoques ao seu mais baixo nível em 40 anos.

Na bolsa de Chicago, os preços da soja superaram US$ 12,45 o bushel na semana passada, recorde em nove meses. Na sexta-feira todas as commodities agrícolas caíram na contramão do dólar, mas o grão segue negociado ao nível de abril de 2008, depois de subir quase 60% ante sua cotação mais baixa de dezembro. Apesar disso, continua abaixo do recorde histórico do ano passado, de US$ 16,50 o bushel.

Olhando para a safra 2009/10 (em fase de plantio no Hemisfério Norte), especialistas temem uma queda na produção de cereais - de milho e, em menor extensão, de trigo - à medida que os agricultores reduzem sua área plantada em resposta aos baixos preços do fim do ano passado, aos custos mais elevados para insumos como fertilizantes e pesticidas e às dificuldades para obter financiamento em alguns países . A produção em países como Ucrânia e Brasil caiu porque os produtores tiveram menos acesso a crédito.

O Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês), uma organização intergovernamental, projetou que o abastecimento global de grãos poderá cair na temporada 2009/10 (que começa "oficialmente" no fim do mês), para 1,721 bilhão de toneladas, queda de 3,4% sobre as 1,782 bilhão de toneladas de 2008/09.

"A produção mundial de grãos deverá ficar abaixo do consumo em 2009/10, corroendo parte dos ganhos obtidos nos estoques após as safras abundantes de 2008", afirma o IGC em seu mais recente relatório mensal. O conselho projeta queda de 328 milhões de toneladas nos estoques, um declínio de 4,3% ante o nível de 2008/09, de 343 milhões de toneladas. Já a demanda global de grãos deverá alcançar 1,736 bilhão de toneladas em 2009/10, um aumento de 0,8% em relação ao ciclo 2008/09.

Considerando que os EUA são o maior país exportador de milho e que o clima úmido vem interrompendo o plantio em regiões do Estado de Illinois, por exemplo Mahoney, da Glencore, diz que "é essencial que tenhamos uma boa temporada de cultivo neste ano".

Mas, enquanto isso não acontece, uma combinação de "aborrecimentos" está impelindo os preços dos cereais. O milho está sendo negociado no patamar de janeiro de 2008, começo da crise dos alimentos - em torno de US$ 4,50 o bushel na bolsa de Chicago -, mas ainda abaixo da cotação recorde de US$ 7,50 o bushel de meados do ano passado. O trigo está sendo negociado no nível de outubro de 2007 (cerca de US$ 6,25 o bushel), mas também muito abaixo do auge de 2008, quando chegou a atingir US$ 13.

Mesmo que a oferta de trigo venha a diminuir neste ano, um enorme volume remanescente da temporada passada limitará qualquer disparada nos preços. "O quadro da oferta e demanda do trigo está consideravelmente menos pressionado", diz Mahoney.

A alta súbita nos preços é um lembrete de como a segurança alimentar do mundo se deteriorou, após anos de excedentes confortáveis, dizem analistas e executivos.

Mike Mack, executivo-chefe da Syngenta, uma das maiores produtoras de defensivos e sementes para a agricultura, ecoa uma opinião generalizada quando diz que, apesar de as "manchetes do ano passado sobre a crise alimentar terem sido substituídas pelas manchetes da crise econômica", o "desafio de longo prazo de produzir alimentos em volume suficiente" não desapareceu. (Tradução de Robert Bánvölgyi)

Fonte: Valor Econômico

 

 

6/10/2009: Notícias de Mercado - Seeds & Grains Business Unit(Published by Administrador Aboissa)



Notícias de Mercado


Cotações da soja no maior patamar em nove meses na bolsa de Chicago
10/06 - 00:00
Para o alta e avante. O enfraquecimento do dólar e a deterioração dos estoques americanos - que deve ser confirmada em relatório desta quarta-feira do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) - levaram as cotações da soja ao maior patamar em nove meses na terça-feira na bolsa de Chicago. Os futuros com vencimento em julho encerraram a sessão negociados a US$ 12,4350 por bushel, alta de 11 centavos de dólar, ao passo que os papéis para agosto subiram 10,75 centavos de dólar e atingiram US$ 11,7725. "O dólar é o maior determinante para a direção dos preços dos grãos", reforçou um trader à agência Bloomberg. Em Rondonópolis (MT), a saca de 60 quilos do grão segue acima de R$ 45, conforme informações do Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea).

Valor Econômico


Monsanto e Basf anunciam novo milho tolerante à seca
10/06 - 05:33

Bloomberg - A americana Monsanto e a alemã Basf anunciaram que criaram a primeira variedade de milho resistente à seca para venda comercial. O feito foi possível, segundo as empresas, pelo acréscimo do gene de uma bactéria (o cspB da bactéria Bacillus subtilis) ao cromossomo da planta.

A técnica permite que os pés de milho continuem crescendo e se desenvolvendo em condições de suprimento de água impróprio, protegendo a produtividade dos agricultores, sempre conforme as empresas. As sementes de milho com essa propriedade deverão ser comercializadas até 2012 nos Estados Unidos e no Canadá, mediante aprovação dos órgãos reguladores.

O milho tolerante à seca é o primeiro produto resultante da parceria, firmada em 2007, entre Basf, maior empresa mundial de produtos químicos, e a Monsanto, líder em sementes transgênicas. As empresas vão gastar US$ 1,5 bilhão em pesquisa em desgaste das plantas durante uma década e estão submetendo a testes de campo uma segunda geração de pés de milho tolerante à seca.

Cerca de 4 milhões a 5,3 milhões de hectares de terras agricultáveis dos Estados Unidos são afetados por uma seca no mínimo leve a cada ano, informaram as companhias. Os testes de campo na porção oeste das Grandes Planícies demonstraram que as novas sementes beneficiaram a produtividade em 6% a 10%, ou em até 62,77 quilos por hectare.

As multinacionais já estão tentando obter permissão para os agricultores remeterem as plantas modificadas para México, União Europeia (UE) e Colômbia, e novos pedidos devem se seguir.

Valor Econômico


Queda do dólar sustenta os preços do milho
10/06 - 00:00

À espera do USDA. A queda do dólar e um movimento de cobertura de posições sustentaram os preços do milho na terça-feira na bolsa de Chicago, mas as atenções dos traders estavam concentradas mesmo nas novas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para oferta e demanda de grãos no país e no mundo em 2009/10, que serão divulgadas na manhã desta quarta - é esperada uma queda dos estoques americanos. Os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 4,44 por bushel, alta de 9 centavos de dólar, ao passo que os futuros para setembro subiram 8,50 centavos, para US$ 4,5325. No Paraná, a saca de 60 quilos do grão subiu 0,63% e atingiu, em média, R$ 17,70, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.

Valor Econômico

 

 

6/9/2009: Notícias de Mercado - Seeds & Grains Business Unit(Published by Administrador Aboissa)



Notícias de Mercado

Preços do milho

Levantamento da Céleres mostra que os preços médios do milho subiram em maio passado, após dois meses de quedas. Em média, as cotações subiram 5,0% em relação a abril, no mercado disponível, por conta da seca em vários Estados produtores. Segundo a consultoria, a maior alta observada foi no Rio Grande do Sul, onde a valorização média foi de 14%, para R$ 20,20 a saca. Em Santa Catarina, a alta foi 9%, alcançando R$ 22,40, com o temor de restrição nas ofertas. Em Campinas (SP), a saca atingiu R$ 22,75/saca no mercado físico, muito próximo do visto em janeiro, período de entressafra.

Fonte: Valor Econômico

 

Preços do milho (2)

No Mato Grosso e no Maranhão houve quedas, segundo a Céleres, mas muito pequenas. No primeiro o recuo foi de 0,8% e no Maranhão, de 0,3%. De acordo com a consultoria, o mercado doméstico de milho operou em ritmo tenso ao longo da semana passada em função da expectativa de perdas de produtividade também devido à geada que atingiu Estados produtores do milho safrinha, como o Paraná e o Mato Grosso do Sul . A expectativa é de que o mercado continue especulativo por causa do clima.

 Fonte: Valor Econômico

 
 

 

Exportação dos EUA. A expectativa de que a valorização do dólar reduza a demanda pelo milho produzido nos Estados Unidos tirou sustentação dos preços do milho ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em julho encerraram o pregão cotados a US$ 4,35 por bushel, em baixa de 9 centavos de dólar, ao passo que setembro recuou 9,25 centavos de dólar, para US$ 4,4475. Foi o terceiro tombo em quatro sessões. As quedas anteriores foram motivadas pelo temor de que o atraso no plantio nos EUA reduza a produção do país, o maior exportador de milho do mundo, em um ranking que deve trazer o Brasil na segunda posição neste ano. No Paraná, a saca de 60 quilos saiu por R$ 17,59, em média, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.

Fonte: Valor Econômico


 

 

6/9/2009: Notícias de Mercado - Seeds & Grains Business Unit(Published by Administrador Aboissa)



Notícias de Mercado

Quebra de safra faz América do Sul colher menos soja
09/06 - 06:06

Após ter atingido 116 milhões de toneladas no ano passado, a produção de soja da América do Sul recua 18,1% -para 95 milhões neste ano. Os dados de quebra de safra já foram assimilados pelo mercado, que faz contas para a safra 2009/10, mas o produtor ainda deve sofrer no bolso essa redução.

A quebra mexeu com os estoques mundiais, que estavam em recuperação, sustentou os preços da oleaginosa e redirecionou exportações entre os maiores produtores.

A redução de produção ocorreu devido à quebra de safra em todos os países da região, mas com maior intensidade na Argentina. Castigado pela maior seca dos últimos 70 anos, o país vai colher apenas 32 milhões de toneladas de soja, conforme recentes estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

O efeito da seca foi tão grande no país que, dos 17,8 milhões de hectares semeados, apenas 16,8 milhões serão colhidos. Além da área que não será colhida, a produtividade das demais áreas teve redução de 33% em relação à safra anterior.

José Pitoli, da Coopermibra, cooperativa do noroeste do Paraná, diz que a quebra de safra elevou os preços da soja. Essa alta, porém, pode não ser suficiente para compensar o que o produtor perdeu com a redução da produção e com o que ainda deve deixar de ganhar devido à contínua desvalorização do dólar nas últimas semanas.

A depreciação da moeda norte-americana, que atingiu neste mês o menor valor do ano, ao cair para R$ 1,924, significa entrada menor de reais no bolso dos produtores.

"Essa perda ocorre em um momento de elevação de custos. Se os preços dos fertilizantes estão abaixo dos praticados no ano passado, o mesmo não ocorre com outros insumos e com mão de obra", diz Pitoli.

Essa perda de renda em várias regiões brasileiras fará com que o produtor volte a semear a soja mais uma vez com menor uso de tecnologia. Os que já fizeram isso na safra 2008/9 vão comprometer ainda mais a produtividade da safra 2009/10.

Com recursos próprios limitados e crédito disponível bastante escasso, a área e a produção de soja podem ficar abaixo do esperado, segundo Pitoli.

Apetite chinês

Os analistas do Instituto FNP alertam para uma nova tendência no mercado, que ainda precisa ser confirmada. A soja produzida internamente pelos chineses já tem custos inferiores à importada, o que pode frear o apetite da China, cujas importações deste ano estão em patamares bem acima das da safra anterior.

Leonardo Menezes, da Consultoria Céleres, de Uberaba (MG), diz que os estoques finais de soja estarão bem mais ajustados na América do Sul devido à oferta menor na safra 2008/9.

Além disso, tanto Brasil como EUA elevaram as exportações para compensar a perda argentina, próxima de 15 milhões de toneladas nesta safra em relação à estimativa inicial.

A quebra na América do Sul, reduzirá a safra mundial para 210 milhões de toneladas neste ano, abaixo da demanda de 222 milhões estimadas pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Com isso, os estoques mundiais, que estavam próximos de 53 milhões de toneladas no início de safra, devem terminar o período próximos de 41 milhões -apenas 18% do consumo total.

Mas o cenário muda para a próxima safra, a 2009/10, que os norte-americanos já estão semeando. Brasil (60 milhões de toneladas) e Argentina (51 milhões) voltam aos patamares de produção pré-seca e, com isso, a América do Sul deverá colher 119 milhões de toneladas.

Do lado da oferta, além da evolução de safra no Brasil e na Argentina, haverá aumento também na dos EUA, que sobe para 87 milhões de toneladas. A safra mundial de soja deve atingir 242 milhões. (MZ)

Folha de São Paulo



Paraná perde liderança na produção de grãos
09/06 - 00:00

No Pa­ra­ná, a pre­vi­são é de uma co­lhei­ta de 26 mi­lhões de to­ne­la­das, vo­lu­me 18% in­fe­rior à pri­mei­ra pro­je­ção fei­ta pe­lo ins­ti­tu­to no iní­cio do ano que pre­via uma pro­du­ção de 31,6 mi­lhões de to­ne­la­das. A pro­du­ção foi pre­ju­di­ca­da prin­ci­pal­men­te pe­la fal­ta de chu­vas.

A Com­pa­nhia Na­cio­nal de Abas­te­ci­men­to (Co­nab), pre­vê uma pro­du­ção no Es­ta­do de 25,23 mi­lhões de to­ne­la­das, vo­lu­me 17,3% me­nor que a sa­fra an­te­rior quan­do fo­ram co­lhi­das 30,51 mi­lhões de to­ne­la­das. Com a que­da na pro­du­ção, o Pa­ra­ná dei­xou de ser o pri­mei­ro pro­du­tor na­cio­nal de ­grãos, per­den­do pa­ra o Ma­to Gros­so. O Es­ta­do res­pon­de por 19,3% da pro­du­ção na­cio­nal.

O le­van­ta­men­to de ju­nho tan­to do IB­GE co­mo da Co­nab ain­da não le­vam em con­si­de­ra­ção as per­das pro­vo­ca­das pe­las gea­das da úl­ti­ma se­ma­na, que só de­vem apa­re­cer na pes­qui­sa do pró­xi­mo mês. No Pa­ra­ná, tam­bém a se­gun­da sa­fra de ­grãos foi pre­ju­di­ca­da pe­la es­tia­gem que re­tor­nou com ­mais in­ten­si­da­de en­tre o fi­nal de mar­ço e iní­cio de ­maio.

Pa­ra o tri­go, o IB­GE pro­je­ta uma sa­fra de 3,14 mi­lhões de to­ne­la­das, vo­lu­me 2,5% ­maior do que o ano pas­sa­do quan­do fo­ram co­lhi­das 3 mi­lhões de to­ne­la­das. A ­área plan­ta­da cres­ceu 7,6%, pas­san­do de 1,1 mi­lhão de hec­ta­res no ano pas­sa­do pa­ra 1,19 mi­lhão de hec­ta­res es­te ano.

A pro­du­ção de fei­jão cai 3,1% em 2009. De­ve­rão ser co­lhi­das 747.455 to­ne­la­das. Os efei­tos da es­tia­gem fo­ram ­mais pre­ju­di­ciais so­bre as la­vou­ras de mi­lho. A pre­vi­são do IB­GE é de que­da de 22,7%. Nes­te ano, a pro­je­ção é de 12 mi­lhões de to­ne­la­das. Hou­ve que­da de 34,8% no vo­lu­me de pro­du­ção da pri­mei­ra sa­fra e es­pe­ra-se uma re­du­ção de 3% na se­gun­da sa­fra. A Se­cre­ta­ria de Agri­cul­tu­ra es­ti­ma que a pro­du­ção da se­gun­da sa­fra de mi­lho se­rá ain­da ­mais pre­ju­di­ca­da com a gea­da.

Na pro­du­ção de so­ja, a re­du­ção é de 19,4% no vo­lu­me que ­caiu de 11,8 mi­lhões de to­ne­la­das pa­ra 9,57 mi­lhões de to­ne­la­das.

A eco­no­mis­ta da Fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra do Pa­ra­ná (­Faep), Gil­da Boz­za, acre­di­ta que a sa­fri­nha do mi­lho po­de re­du­zir ain­da ­mais. ‘‘A sa­fri­nha de in­ver­no é de al­tís­si­mo ris­co com gea­da e ­chuvas’’, dis­se.
Folha de Londrina
Autor: Andréa Bertoldi



 

 

6/8/2009: Notícias de Mercado - Seeds& Grains Business Unit(Published by Administrador Aboissa)


Notícias de Mercado

Rodrigues vê depuração e expansão do setor
Fernando Lopes, de São Paulo
08/06/2009
 
 
Davilym Dourado / Valor
Roberto Rodrigues: "Ninguém é mais preservacionista do que a agricultura"

Em 18 de maio, uma segunda-feira, ele participou de um evento sobre pecuária de corte em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Na terça-feira, estava em Brasília, em um encontro sobre irrigação, e no dia seguinte desembarcou na capital de Goiás para palestrar sobre produtividade da soja. Na quinta-feira, 21, esteve em dois seminários em São Paulo, onde mantém residência, e na sexta-feira pegou a estrada para Águas de Lindoia, no interior paulista, para acompanhar uma reunião sobre zootecnia.

Para discutir política agrícola, foi convocado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para estar no Rio no sábado, dia 23 de maio. Na noite de domingo, partiu para falar sobre cana em Uberlândia, Minas Gerais, na manhã seguinte. Na terça-feira estava em Belo Horizonte no anúncio dos resultados da cooperativa de lácteos Itambé, na quarta-feira voltou à Brasília, dali retornou a São Paulo e logo estava na estrada de volta ao interior paulista, para depois...

Aos 66 anos, umbilicalmente amarrados ao agronegócio, Roberto Rodrigues é reconhecido no setor como seu porta-voz mais influente e carismático. É convidado para tudo, e a agenda está sempre cheia. Suas apresentações, sempre bem-humoradas, são das mais concorridas, e muitas vezes plagiadas. Tem sido assim desde que, desgastado por embates políticos no Planalto, deixou o Ministério da Agricultura no último ano do primeiro mandato do presidente Lula. Era assim antes dele virar ministro, continuará sendo assim enquanto a saúde permitir - e aparentemente ela vai muito bem, obrigado.

Rodrigues atualiza suas exposições conforme o cenário muda, e atualmente o tom é de preocupação. Não com o longo prazo, afinal poucos países do mundo têm tantas condições de se beneficiar da tendência de aumento da demanda global por alimentos quanto o Brasil, mas com os reflexos da atual crise mundial sobre o agronegócio nacional no curto prazo. "Os efeitos da crise na agricultura são trágicos", diz, sobretudo pelo estrangulamento do crédito ao produtor rural, mas também pela queda dos preços das commodities em dólar (exceto nos casos de açúcar e milho) em relação aos picos de 2008.

"Carne, soja e café, por exemplo, estão com os preços em dólar mais baixos [do que em igual intervalo de 2008], e o dólar está em queda. No primeiro quadrimestre, tivemos uma perda de US$ 1,6 bilhão nas exportações em relação ao mesmo período do ano passado". De janeiro a abril, ressalva, o câmbio compensou parte das perdas. Hoje o dólar amarga persistente deterioração, mas os preços das commodities em geral estão em alta e as máximas históricas já não estão mais tão distantes quanto estavam no último mês de dezembro.

Neste ponto a preocupação dá lugar ao otimismo. Em tempos de juro próximo a zero e medidas de socorro com viés inflacionário em diversos países, as commodities agrícolas mais negociadas voltaram a atrair a atenção de grandes fundos de investimentos, atentos aos baixos estoques mundiais de alimentos e a um crescimento da demanda global que até agora desafia a crise e que deverá voltar a crescer em ritmo forte quando a turbulência ficar para trás.

No Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), do qual Rodrigues é coordenador, trabalha-se com a expectativa de que a demanda por alimentos atingirá quase 4 bilhões de toneladas em 2025, 62% mais que em 2000. China, Índia e África puxarão o salto, e as estimativas indicam elevações incisivas no consumo per capita de óleos vegetais, carnes e leite e derivados, que são produtos de maior valor do que cereais, raízes e tubérculos, locomotivas da demanda agrícola na segunda metade do século passado.

"Os estoques globais de alimentos representam, atualmente, 60% ou 70% do que eram há dez anos. É uma grande oportunidade para o Brasil, que tem excedentes e já é um grande exportador", afirma Rodrigues. Ele nota que a produção brasileira de grãos somou 991,9 milhões de toneladas entre as safras 2000/01 e 2008/09, enquanto a demanda interna atingiu 805,8 milhões. No intervalo, portanto, o país colaborou com 186,1 milhões de toneladas para o abastecimento de outros mercados.

"Para transformar a crise em oportunidade, é preciso consciência. O crédito tem que fluir e instrumentos de política agrícola como o seguro rural têm de ser ampliados e aperfeiçoados. Temos pela frente um longo 'soluço' de aumento de demanda sem elevação expressiva da oferta mundial, o que levará a uma lenta recomposição de estoques que deve manter os preços em patamares elevados, mas os produtores não podem depender desses preços, porque eles podem cair com o desenvolvimento de novas tecnologias que elevem a oferta", afirma.

Rodrigues sabe que nem todos os produtores e agroindústrias sobreviverão até a bonança, e vê dois lados na peneira que já começou a separar o joio do trigo, com movimentos de concentração em curso no campo e entre as empresas, levando-se em consideração que a crise atinge os diversos segmentos de formas distintas. "A agricultura não quebra, quem quebra é o agricultor. Esse processo de depuração leva a uma concentração e ao melhoramento de padrões. É um processo que tem vantagens econômicas e desvantagens sociais".

Independentemente de preços, Rodrigues lamenta que desafios antigos do agronegócio continuem sendo desafios. Há gargalos, hoje, que desde sempre são gargalos, e o crédito, que aos poucos vem sendo modernizado com grande participação do Banco do Brasil, não é o único deles. Logística e comunicação também evoluem a passos de tartaruga. "Existe um projeto brasileiro de logística, mas é um projeto. Para colocá-lo em prática, é preciso planejamento estratégico, recursos financeiros e cuidado com o meio ambiente. Precisamos, por exemplo, de uma solução barata para escoar nossas exportações pelo Pacífico". Seria uma alternativa importante para baratear o transporte das exportações para a China, o principal cliente do setor no exterior.

Pesquisas e outras ferramentas voltadas à otimização da agricultura tropical brasileira também não podem ficar para trás. "Só 5% da nossa área agrícola é irrigada, e o Brasil tem 15% da água doce do mundo. A biotecnologia está engatinhando no país, e a nanotecnologia pode abrir tantas janelas que até assusta! Mais do que um desafio, são novas fronteiras do conhecimento, onde o limite é a imaginação. A nanotecnologia, por exemplo, pode criar matérias novas, mas está restrita a iniciados". Rodrigues destaca esses aspectos no contato que tem com as empresas, e observa que concursos privados como o da Fundação Bunge, cuja premiação será em setembro, devem ser mais difundidos.

Particularmente dedicado nos últimos anos aos biocombustíveis - recebeu até a alcunha de "embaixador do etanol" - Roberto Rodrigues louva o reconhecimento, pelos Estados Unidos, de que o álcool de cana é a melhor opção disponível, apesar dos temores de que possa encarecer os alimentos ou do vínculo entre a disseminação de sua utilização e os preços do petróleo. Aqui, reforça, não adianta o Brasil querer ser o único provedor global. "Os importadores não trocarão a dependência do petróleo pela dependência do etanol. Também poderíamos incentivar as exportações de álcool anidro [misturado à gasolina], que não exige adaptações nas redes de distribuição. Até 2025, a demanda global por combustíveis líquidos deve crescer 55%, de acordo com a AIE [Agência Internacional de Energia]".

Mas e o ambiente, comportará tantas expansões? "Ninguém é mais preservacionista do que a agricultura. A pressão ambientalista é legítima, mas se generalizou. E o contra-ataque também. Tem de haver uma aproximação, e isso é possível. Temos que investir em uma agricultura tropical e sustentável". Quando ministro, Rodrigues travou embates duros com a colega Marina Silva, do Meio Ambiente, sobre a expansão da pecuária e das lavouras em áreas sensíveis como a Amazônia. Atualmente ele está mais próximo de ONGs ambientalistas e certificadoras, e seu discurso pró-sustentabilidade, de olho no mercado, também é respeitado pelos ruralistas.

Fonte: Valor Econômico

Volatilidade na soja deve continuar

08/06 - 06:00 

As variações na cotação da soja nos últimos dez dias chegaram a 30 pontos, tanto para cima quanto para baixo. E a "louca" volatilidade deve continuar nas próximas semanas, aponta o analista da Brasoja, Antonio Sartori. Ele explica que os movimentos bruscos são resultado de fatores como dólar e bolsa, mas deve-se estar atento ao petróleo e à especulação, entre outros.

O comportamento da soja, no entanto, vai na contramão de outras commodities. Enquanto o preço do milho ao produtor, em um ano, passou de R$ 23,00 para R$ 18,00 a saca, a oleaginosa avançou de R$ 43,00 para R$ 47,00. A seca favoreceu a alta, pois reduziu em 20 milhões de t a safra na América do Sul.

O gerente de negócios da Cooplantio, Marcelo Faria, acredita que, se a China postergar seu programa de importações, o preço da soja em dólar irá cair no curto prazo.


Correio do Povo
 
 

Que­da na sa­fra de mi­lho for­ça pre­ços

06/06 - 12:05 

A queda na produção de milho – na primeira safra e na safrinha – provocada pela estiagem contribuiu para elevar os preços do grão. Desde meados do mês passado o milho acumula alta de 8,62% no mercado futuro (base setembro, época de colheita), saltando de R$ 23,70 a saca de 60 quilos para R$ 25,15 (cotação de quarta-feira). A alta também foi provocada pela perspectiva de mais perdas provocadas pelas geadas nas principais regiões produtoras do Paraná, além de indicações da chegada de uma nova massa de ar frio prevista para o final da próxima semana.

‘‘Todos os gráficos da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) são compradores de milho para setembro. Há mais espaço para aumento de preços do que para queda’’, afirma Carlos Boszczovski, operador de mercado da Target Invest (empresa privada de Londrina de análises do mercado financeiro). Em picos de alta, a avaliação é que a cotação da saca pode chegar aos R$ 27. No entanto, para o trader Mauri Piubelli, da Nova Invest (ligada à Link Consultoria), o cenário ainda está nebuloso para indicar queda ou alta de preços. ‘‘O preço (do milho) vai depender de vários fatores como taxa de câmbio, exportações, estoques e total produzido’’, comenta.

Nesta semana o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, divulgou novo balanço em que aponta para perdas de 23% na colheita estadual de milho safrinha. Portanto, a produção foi rebaixada de 6,4 milhões de toneladas para 4,9 milhões de toneladas. Somando as duas safras de milho, o Paraná poderá colher 27% menos do que o registrado no ano passado, estimado em 11,23 milhões de toneladas. A produtividade pode variar de 3,3 mil quilos por hectare a 3,5 mil quilos, enquanto o potencial estimado era de 4,2 mil quilos por hectare.

No mercado físico (preços atuais) a cotação da saca tem oscilado na casa dos R$ 20 no Paraná. ‘‘Na verdade há uma perspectiva de falta de milho, tanto que o mercado projeta mais perdas, prevendo uma produção da safrinha estadual de 3,7 milhões de toneladas a 3,8 milhões de toneladas’’, afirma Carlos Boszczovski. Outro fator de relevância para o mercado de milho é o mercado externo. O trader Mauri Piubelli explica que a composição dos preços depende também da quantidade exportada até porque há projeções que indicam aumento do consumo interno puxado pelas criações animais.

O mercado internacional também indica alta de preços. Na Bolsa de Chicago, por exemplo, a cotação subiu 30% nos últimos três meses saindo de US$ 9,50 para US$ 13,30. O plantio da cultura está atrasado devido às chuvas que atingem as regiões produtores e, por isso, os preços têm subido acompanhando a cotação do petróleo.


Folha de Londrina
Autor: Fernanda Mazzini

Recuperação do mercado externo anima avicultura

08/06 - 00:00 

Depois de amargar uma queda de aproximadamente 30% nas exportações de frango no primeiro trimestre do ano, o setor avícola, a exemplo de outros segmentos da economia, também começa a acreditar que o pior já passou.

O presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Uacir Bernardes, diz que, na verdade, a crise financeira internacional não chegou a impactar o consumo de frango. “O que ocorre é que os importadores são grandes trades e distribuidores, que na hora do aperto financeiro, reduzem seus estoques para ganhar liquidez”, diz ele.

Mas de acordo com Uacir Bernardes, já em abril o setor registrou os primeiros sinais de recuperação, praticamente empatando com abril do ano passado no volume de exportações. “Em março mantivemos também a paridade com o mesmo período de 2008, embora em faturamento não se tenha recuperado os patamares passados, que eram pelo menos 22% maiores”, diz o dirigente da Uacir Bernardes.

Recuperação
O presidente da AGA admite que não a recuperação no faturamento das exportações não deve ser rápido, até porque ocorreu uma rearrumação do mercado que estabeleceu novos parâmetros de preços. “Estávamos vendendo frango a 1.700 dólares a tonelada, quando a média histórica era de cerca de 1.200 dólares”, pondera o avicultor.

Segundo ele, a redução dos preços do frango no mercado internacional não preocupou tanto num primeiro momento, porque a valorização do real frente ao dólar acabava compensando eventuais perdas. “Mais agora começa a preocupar, pois os preços em dólar caíram e o dólar vem se desvalorizando novamente em relação ao real”, diz o dirigente da AGA.

Expectativas
De qualquer forma, Uacir Bernardes diz que as expectativas são promissoras, tanto pela retomada das exportações, como pela estabilidade do mercado interno de frango. “Não tivemos queda no consumo interno, mas até pelo contrário, deveremos chegar esse ano aos 40 quilos por habitante por ano, consolidando o frango como a carne mais consumida no País.”

Sedimentando esse otimismo, Uacir Bernardes cita pelo menos dois fatos novos, a fusão da Perdigão Sadia, com a criação BRF, maior exportadora de frango do mundo; e a abertura do mercado chinês.

Segundo ele, a BRF tem tudo para consolidar a imagem do País com o maior exportador de carne de frango, tanto em quantidade como em qualidade. Com relação a abertura do mercado chinês Uacir Bernardes diz que é um fato importante, mas pondera que é preciso não mistificar.

Segundo ele, é preciso lembrar que a China é o segundo maior produtor de frango do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, razão porque seu potencial de importação é de apenas 370 mil toneladas por ano. “E não quer dizer que vamos exportar esse tanto para os chineses. Eles já compram da Argentina, dos Estados Unidos e de outros países”, esclarece o presidente da AGA.

Ele pondera, entretanto, que todo mercado para o frango brasileiro é bem vindo, ainda mais que no caso da China existe uma boa logística de distribuição. “Não é o caso da Índia, que apesar do enorme potencial de consumo, simplesmente não existe distribuidores à altura”, diz Uacir.

O presidente da AGA atribui ao elevado profissionalismo da avicultura brasileira o fato de ter passado relativamente bem pelo período mais grave da crise. Segundo ele, o setor percebeu com bastante antecedência os sinais da crise e ascendeu a luz amarela.

“As maiores empresas do setor se reuniram no segundo semestre do ano passado e decidiram reduzir a produção para se adequarem à nova realidade do mercado. Foi uma lição de maturidade, pois evitou um aviltamento exagerado dos preços do frango.”


O Popular
Autor: Edimilson de Souza Lima
 

 

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