MILHO: SECA REPRESA OFERTA E LEVA A PLANEJAMENTO DA SAFRINHA
São Paulo, 6 - As chuvas dos últimos dias amenizaram a estiagem no Sul do País, mas ainda há déficit hídrico em áreas produtoras de grãos. A confirmação de quebra de safra em lavouras de milho - agricultores reportam perda total em algumas áreas, segundo participantes do mercado - leva a uma retração nas vendas do cereal. No mercado de lotes, os compradores voltaram do feriado prolongado de Ano Novo precisando de milho, mas não encontraram oferta. Preocupado com o plantio da segunda safra, que começa no fim deste mês, o governo do Paraná convocou uma reunião para amanhã, em Curitiba, para discutir iniciativas que reduzam os efeitos do clima sobre a cultura, como a adoção de variedades mais resistentes à seca.
Da reunião, na sede da Secretaria de Agricultura, devem participar técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Emater, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Embrapa, Banco do Brasil, Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Os prejuízos com a estiagem nas lavouras de grãos somam até agora R$ 1,5 bilhão no Paraná.
A preocupação em preservar a produção de milho segunda safra se deve ao fato de que, no Paraná, a safrinha de milho já supera em área a da safra verão. Enquanto na primeira safra o plantio ocupou 1,29 milhão de hectares, na última safrinha a área semeada com milho foi de 1,6 milhão de hectares. O Paraná é o principal produtor do cereal no País.
As notícias de perda de produção no Sul têm reflexos também em outras praças, com negócios pontuais. No Centro-Oeste a perspectiva do leilão de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para 273 mil toneladas na quinta-feira também represa as ofertas. O leilão prevê subvenção para 100 mil toneladas do Mato Grosso, 60 mil t de Goiás, 60 mil t do Mato Grosso do Sul e 3 mil t de Rondônia, num total de 273 mil toneladas. Os prêmios serão de R$ 5,04/saca para o milho do MT, de R$ 4,38/saca para Goiás e MS e de R$ 3,36/saca para Rondônia. Segundo as regras da Conab, o produto negociado no leilão deve ser escoado para qualquer localidade, exceção apenas do Centro-Oeste, Rondônia, Pará, Piauí e Maranhão.
Na avaliação do mercado, à medida que se aproxima a colheita da safra verão, a tendência é de um gradativo aumento das ofertas de milho. "Os produtores acreditam que os preços possam subir com a perda de produção no Sul do País. Mas há muito produto em estoque e qualquer reação de preço deve ser momentânea", diz uma corretora de Campo Grande. Os preços do milho estão firmes em praticamente todo o País. No Paraná, compradores oferecem de R$ 19 a R$ 20/saca, a depender da localização, mas não foram reportados negócios nesta segunda-feira. No Mato Grosso do Sul, a indicação é de R$ 18/saca em Dourados e Campo Grande.
Futuros fecham em leve queda na Bolsa de Chicago
O mercado futuro do milho segue sem direção. Ontem, os contratos negociados na Bolsa de Chicago fecharam em leve queda. O vencimento março, o mais negociado, fechou em queda de 1 cent, cotado a US$ 4,1125/bushel. Analistas ouvidos pela Dow Jones disseram que as perdas só não foram maiores devido ao desempenho positivo do trigo e da soja. O petróleo também deu sustentação ao cereal. Por conta do conflito em Gaza, na Nymex, os contratos de petróleo fecharam em alta, no patamar mais alto desde 1º de dezembro. O contrato para fevereiro acumula uma alta de 25% nos últimos três dias.
Jane Miklasevicius
SOJA: SECA NA AMÉRICA DO SUL DEVE MANTER PREÇOS EM ALTA EM CHICAGO
São Paulo, 6 - A safra de clima na América do Sul está cada vez mais presente na formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago. As incertezas sobre o que irá acontecer na Argentina e no Brasil durante o desenvolvimento da lavoura estão dando uma forte sustentação para as cotações do grão na bolsa americana. Apenas no pregão de ontem, os contratos para janeiro tiveram uma valorização de 1,42% e terminaram a segunda-feira a US$ 9,84 por bushel. Com esse resultado, a soja acumula um ganho de 4,82% nos últimos sete dias, percentual que supera os 25,5% no acumulado de 30 dias.
Como o clima ainda é uma incógnita na América do Sul, muitos importadores, especialmente a China, estão destinando sua demanda para os Estados Unidos. Tal estratégia faz com que as vendas de soja americana e os registros de exportação aumentem semanalmente e, em muitos casos, superem as expectativas do mercado, o que oferece mais um suporte para os preços em Chicago.
No relatório divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para a inspeção de embarque de 28,71 milhões de bushels (781,51 mil toneladas) de soja na semana encerrada no último dia 1º. O número ficou dentro do esperado pelos analistas, que antecipavam algo entre 25 milhões e 30 milhões de bushels e a China, responsável pelo embarque de 20,9 milhões de bushels, foi o principal destino.
Segundo Bill Nelson, analista da Doane Advisory Services, o mercado continua encontrando suporte nos bons números de exportação de soja dos Estados Unidos e nas preocupações em relação aos efeitos do clima na safra da Argentina. Os embarques americanos ainda servem de argumento de alta para o mercado, juntamente com o sentimento de os problemas na produção da América do Sul podem transferir a demanda para os Estados Unidos, elevando as expectativas de redução dos estoques finais.
No mercado doméstico, os preços da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) acompanharam o desempenho do mercado americano. Os contratos com vencimento em abril terminaram a segunda-feira em alta de 1,35%, cotados a US$ 21,08 por saca. A queda do dólar, no entanto, afastou um pouco os vendedores no mercado físico. Em Passo Fundo, a saca foi negociada a R$ 47,00, com queda de 0,57%. Já no interior de São Paulo, na região da Mogiana, os preços subiram 2,47% com a alta de Chicago e fecharam o dia a R$ 44,83 por saca.

A passagem de uma frente fria causou chuvas na virada do ano sobre o Sul do Brasil e beneficiou áreas atingidas pela estiagem. No entanto, as chuvas não foram generalizadas e variaram muito de uma região para outra. A informação é do meteorologista Paulo Etchichury, sócio-diretor da Somar Meteorologia, em comentário exclusivo para o AE Agronegócios. As chuvas mais significativas, entre 75 e 100 mm foram registradas sobre o nordeste do Rio Grande do Sul, centro-leste de Santa Catarina e no sul e leste do Paraná.
Porém a situação mais crítica em relação à estiagem continua sobre o sul e o oeste do Rio Grande do Sul, onde as chuvas dos últimos dias foram inferiores a 20 mm, sendo que em muitas regiões não choveu. A falta de chuvas afeta principalmente a lavoura de arroz irrigado, que é a principal lavoura dessa região. Em função dos episódios de chuvas deste final de ano, se observa uma ligeira recuperação da Água Disponível no Solo sobre partes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e em São Paulo.