Brasil vai confirmar safra recorde de soja e preços devem seguir firmes


Imagem: Pixabay



O Brasil deve confirmar uma safra recorde de soja superior a 130 milhões de toneladas e o mercado deve manter preços firmes tanto na Bolsa de Chicago como no mercado físico nacional. Esses foram alguns dos destaques da palestra do consultor de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez Roque, durante o primeiro dia da SAFRAS Agri Week, evento totalmente on line que ocorre de 09 a 11 de março.

Segundo o consultor, o principal desafio do momento para a produção brasileira é a colheita estar ocorrendo com excesso de chuvas no Centro-Oeste. “Vínhamos de um clima muito positivo no Sudeste e Centro-Oeste, as atenções estavam voltadas para o Rio Grande do Sul e o Sul inteiro pela falta de chuvas com o La Niña. Apesar de alguns problemas no RS, a safra é boa. Por outro lado, o Centro-Oeste agora, principalmente Mato Grosso, mas também Goiás e Tocantins, apesar do bom desenvolvimento da safra enfrenta excesso de umidade”, salientou.

Essa condição climática traz perdas tanto produtivas quanto de qualidade. Mas isso não vai tirar o Brasil da colheita de uma safra recorde, apenas devendo impactar mais a qualidade. A estimativa de SAFRAS por enquanto é de uma produção de soja de 133,104 milhões de toneladas em 2020/21, com incremento de 4,7% sobre a safra 2019/20, indicada em 127,178 milhões de toneladas. Luiz Roque diz que SAFRAS deve revisar para baixo a estimativa da produção brasileira pelos problemas climáticos, sobretudo agora com as chuvas na colheita no Centro-Oeste. Mas ainda será uma safra recorde superior a 130 milhões de toneladas.

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No mercado, o consultor destacou que os preços foram excepcionais em 2020, com o dólar elevado sendo fundamental para o suporte às cotações da soja, com a moeda global disparando com o risco global que a pandemia trouxe. A soja brasileira tornou-se mais competitiva e a China aumentou sua demanda por alimentos. As exportações de soja dispararam e houve aumento da demanda interna com incremento das exportações de carnes. Roque salientou que, apesar da Bolsa de Chicago ter estado com preços relativamente baixos entre janeiro e agosto de 2020, o dólar puxou preços e exportações no Brasil. Com a China tendo comprado muita oleaginosa brasileira nos oito primeiros meses de 2020, os últimos quatro meses do ano foram de menor oferta e de descolamento dos preços interno em relação a Chicago, com a soja na casa de R$ 180,00 a saca em algumas praças. E o Brasil com os menores estoques de passagem da história.

Depois a Bolsa de Chicago reagiu e está nos maiores patamares desde 2014, refletindo problemas produtivos norte-americanos em 2019 e 2020, o aumento na demanda da China, exportações recordes nos Estados Unidos, fortes esmagamentos norte-americanos e aperto nos estoques, ressaltou o consultor. Ele indica que no primeiro semestre de 2021 se o clima pior no Brasil, e também na Argentina, os preços podem subir mais em Chicago e até superar US$ 15,00 o bushel. Hoje o contrato maio está em torno de US$ 14,30. Por outro lado, se a área plantada nos Estados Unidos crescer e o clima for favorável para o plantio há espaço para correções para baixo.

No segundo semestre na Bolsa, Luiz Gutierrez Roque diz que o mercado climático nos EUA pode mexer com as cotações. Num cenário de perdas produtivas os preços podem testar e superar US$ 15,00 o bushel. Mas num quadro de safra recorde, as cotações podem testar US$ 13,00 a US$ 13,50. Assim, Roque trabalha com a possibilidade de preços oscilando de US$ 13,00 a US$ 15 o bushel em 2021. Com problemas climáticos na América do Sul e/ou EUA, o preço pode romper para cima a linha de US$ 15,00.

No Brasil, para os preços da soja, o consultor acredita em preços firmes, com o dólar acima de US$ 5,00. Talvez a moeda americana gire em mínima de US$ 5,20 a US$ 5,30 com a maior atividade econômica global com o mundo vencendo a pandemia com a vacinação. Depende muito da instabilidade política-econômica no Brasil também. E o dólar nestes patamares deve manter sustentadas as cotações da soja no Brasil. Contribui para isso o fato de que Chicago está com cotações firmes, os estoques brasileiros são baixos, houve atraso na colheita e o país já comercializou grande parte da safra.

Por: Lessandro Carvalho | Safras & Mercado 

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