Dólar supera R$5,62 com permanência de cautela global e riscos fiscais domésticos

O dólar chegou a superar a marca de 5,62 reais na manhã desta quinta feira na onda da cautela registrada no último pregão, com temores globais sobre um salto nos casos de Covid-19 e riscos fiscais locais levando os investidores a buscar refúgio na moeda norte-americana.

Às 10:50, o dólar avançava 0,36%, a 5,6076 reais na venda, depois de ter chegado a tocar o nível de 5,6250 reais.

O contrato mais líquido de dólar futuro subia 0,46%, a 5,617 reais.

Na última sessão, o dólar à vista havia registrado alta de 2,18%, a 5,5876 reais na venda. O movimento foi reflexo da aversão a risco generalizada nos mercados internacionais após uma aceleração na disseminação do coronavírus levar à adoção de novas medidas de restrição no Reino Unido, gerando temores de que mais economias importantes voltem a limitar sua atividade diante do avanço da pandemia.

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Flávio Serrano, economista-chefe do banco Haitong, citou um arrefecimento no movimento de compra de dólares nesta manhã depois da disparada registrada na véspera, mas destacou que “ainda há um sentimento de cautela tanto doméstica quanto internacional, em meio a risco de uma segunda onda de Covid”.

Nesta quinta-feira, o índice que acompanha a moeda norte-americana contra seis pares de países ricos rondava máximas em dois meses, refletindo a busca por proteção em ativos seguros. Divisas arriscadas cujo movimento o real tende a acompanhar, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, operavam em queda.

No Brasil, analistas continuavam citando riscos fiscais e incertezas políticas e econômicas como fator de pressão para o real, que segue na posição de moeda com pior desempenho no ano entre uma cesta de mais de 30 pares da moeda norte-americana.

Apenas nos últimos cinco pregões, contando este, o dólar acumula salto de cerca de 7,4% contra a divisa brasileira, valorizando-se em cerca de 40 centavos desde que fechou em 5,23 reais na última quinta-feira.

“A rapidez na valorização reflete o risco exterior, e com o risco fiscal local tudo é exacerbado”, disse Flávio Serrano. “O ponto chave é que existe muita volatilidade derivada de um nível de incerteza grande.”

O principal temor dos investidores domésticos gira em torno do teto de gastos, já que há dúvidas sobre como o governo de Jair Bolsonaro financiaria um programa de assistência social sem estressar as contas públicas.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou na quarta-feira que a gestão irá manter o teto de gastos e o rigor fiscal e que não haverá propostas para aumentar carga tributária.

Nesta quinta-feira, o Banco Central do Brasil fez referência à regra do teto de gastos em seu Relatório Trimestral de Inflação, dizendo que há pouco ou nenhum espaço para cortar a Selic à frente, com a alta dos juros básicos sendo descartada desde que mantido o quadro para a inflação e para a disciplina das contas públicas.

Fonte: Agrolink

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