Etanol mais caro? Preços caíram desde o início do ano no mercado spot de SP mesmo em entressafra, mas devem voltar a subir



Imagem: Pixabay


Nos últimos dias, preços do biocombustível reverteram trajetória baixista em meio a uma maior demanda pelo combustível. Para as próximas semanas, volta das aulas e aumento do número de veículos nas ruas devem influenciar na comercialização.

Os preços do etanol hidratado – utilizado no Brasil como um substitutivo da gasolina nas bombas – e do anidro – misturado à gasolina comum em percentual de 27% – têm registrado queda no mercado spot de São Paulo desde o início do ano, mesmo em um momento de entressafra de cana-de-açúcar no Brasil. A nova safra começa em abril deste ano.

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O mercado até registrou alta recente. No período de 30 de janeiro até 3 de fevereiro, o indicador do etanol hidratado do Cepea saltou 0,64%, a R$ 2,7071 o litro (sem frete, sem ICMS e sem PIS/Cofins – alíquota zerada), mas ainda assim acumula queda desde o início do ano de mais de 3,5%.

O anidro teve no período de final de janeiro até início de fevereiro uma alta semanal de 4,65%, mas ainda assim acumula no ano uma baixa de mais de 5%.

“As valorizações não foram suficientes para reverter as fortes quedas das três primeiras semanas do mês. Assim, apesar da entressafra em janeiro, os preços do etanol caíram no mês passado”, destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, da Esalq/USP).

A alta recente está relacionada à demanda, segundo o centro, que voltou a crescer principalmente depois que a Petrobras anunciou no final de janeiro aumentos de preço da gasolina nas refinarias. “Esse cenário levou agentes de alguns distribuidores a fechar negócios”, disse o Cepea.

Quanto ao índice diário Esalq/BM&FBovespa (Paulínia, SP), o preço na última sexta (13) caiu 1,79%, a R$ 2,7645 o litro.

Em uma comparação mais estendida, entre a última semana de dezembro de 2022 e a última semana de janeiro de 2023, os indicadores do Cepea para o etanol hidratado e anidro caíram 6,9% e 7,66%, respectivamente.

“Aparentemente, os dados divulgados pela Unica [União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia] no final de janeiro – mostrando que as vendas de hidratado foram fracas na primeira quinzena do mês em relação ao mesmo período dos anos anteriores – não influenciaram tanto os agentes. Por outro lado, para o etanol anidro, a liquidez continuou alta, o que pode estar ligado à queda das importações entre abril e dezembro (segundo a Secex), principalmente no Nordeste do Brasil”, explicou o Cepea.

Tendência do mercado para as próximas semanas

A demanda por etanol deve seguir aquecida ao longo das próximas semanas no Brasil, segundo as análises do Cepea. “A volta das aulas e o aumento do número de veículos nas ruas devem influenciar o comportamento dos preços nas próximas semanas. É importante destacar que as vendas de etanol têm sido baixas nos últimos anos e as cotações nas bombas estão longe de serem competitivas”.

Preços também subiram para os consumidores

Após três semanas em queda, entre os dias 29 de janeiro a 4 de fevereiro, os preços dos combustíveis voltaram a subir aos consumidores do Brasil, de acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A gasolina comum foi comercializada em média a R$ 5,12 o litro, uma alta de 3,02%. Já o etanol saltou na semana 1,06%, a R$ 3,82. A paridade entre os dois combustíveis ficou em 74,61%. Já o preço do diesel ficou praticamente estável (alta de 0,15%), a R$ 6,29 o litro.

Essa pesquisa já captou o aumento da Petrobras de 7,5% da gasolina nas refinarias.

Fonte: Jhonatas Simião | Notícias Agrícolas

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