Exportação e aumento do consumo interno mantém algodão em alta

Imagem: Pixabay


 

Somente em dezembro do ano passado, o Brasil exportou 370 mil toneladas de algodão, metade do consumo interno em um ano. Desde julho do ano passado já foram mais de 1,6 milhão de toneladas exportadas. Os dados são de Henrique Snitcovski, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão – Anea.

“Até junho vamos bater um novo recorde de 2,3 milhões de toneladas de algodão embarcadas neste ciclo de produção”, comemorou em uma live promovida pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). Somente a China concentra 1/3 da demanda de exportação, mas outros países como Vietnã, Paquistão, Turquia, Indonésia e Bangladesh compram o produto brasileiro.

O otimismo é confirmado por Thomas Reinhart, um dos maiores especialistas em comércio de algodão no mundo. “A demanda chinesa é de cerca de 10 milhões de toneladas, sendo que metade é para consumo interno”, esclarece.

Reinhart avalia que o cenário é favorável ao Brasil devido às sanções econômicas aos Estados Unidos, nosso principal concorrente, e ao embargo à importação do algodão e outros produtos australianos. Esses fatores favorecem uma maior penetração no maior mercado consumidor da pluma.

Para atender a demanda da exportação e consumo interno, Mato Grosso continua sendo o principal produtor brasileiro. Para a safra que está sendo plantada, deverão ser colhidos 2 milhões de toneladas. Mesmo com a diminuição da área plantada, Paulo Aguiar, presidente da Ampa, está otimista. “Apesar do atraso no plantio devido a demora da colheita da soja, a produção do estado pode ultrapassar a previsão e a expectativa da safra brasileira é de 2,7 milhões de toneladas”, avalia.

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Já a diminuição da área plantada e a demanda pela exportação preocupa o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – Abit, Fernando Pimentel. Para ele, a recuperação das vendas no segundo semestre de 2020 foi muito além das expectativas, graças ao auxílio emergencial e outras medidas do governo federal. “Dos segmentos que compõem a nossa indústria, a fiação foi o único que teve um acumulado positivo em 2020 em relação a 2019”, destacou.

No entanto, ele acredita que esse resultado pode não se repetir esse ano. “A euforia do consumo cessou e dezembro já não foi o que a gente esperava”, avalia. Parte disso está relacionado aos aumentos nos alimentos, que está drenando boa parte das rendas das famílias brasileiras.

Paulo Aguiar acredita que a produção brasileira tem condições de atender ao consumo nacional, que gira em torno de 700 mil toneladas. “Nós ainda temos 330 mil toneladas da última safra, que somada a produção que está sendo plantada será suficiente para atender o mercado local e internacional”, finalizou. 

Criado pela Ampa durante a pandemia, a série de eventos online reúne especialistas do Brasil, Estados Unidos, China e países europeus que discutem a produção, exportação e o consumo do algodão em nível mundial e as estratégias adotadas.

Fonte: Notícias Agrícolas

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