Novo padrão de umidade do grão de soja pode afetar o agro?


Imagem: Pixabay

A China informou que deve alterar o limite da umidade de grãos de soja de 14% para 13%, seguindo o novo padrão chinês. Essa notícia gerou grande repercussão no segmento de agronegócio devido ao fato do país ser o maior comprador de soja brasileira.

De acordo com o artigo de Murilo Schneider, co-fundador e diretor da Procer Tecnologia, apenas em 2020, o Brasil recebeu mais de US$28,4 bilhões com a venda do grão para os chineses e o país tem potencial para importar 80% do volume previsto, segundo a Conab. Ainda, o setor de agronegócio  representou cerca de 26,6% no Produto Interno Bruto no ano passado, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Mas, na prática, como essa nova exigência dos chineses afeta diretamente os produtores de soja no Brasil?

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Pela legislação brasileira – Instrução Normativa 11/2007 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – para fins de comercialização, o limite do teor de água dos grãos deve ser de 14%. Porém, quanto mais alta for a disponibilidade de água no grão, mais suscetível ele está à deterioração, contaminação por fungos, micotoxinas, ou seja, maiores as chances de perdas dos produtos. Para se ter uma ideia, no Brasil as perdas anuais entre a colheita e o armazenamento chegam a 20%, segundo o Serviço Nacional De Aprendizagem Rural (SENAR).

Assim, ao reduzir o limite de umidade para 13%, diminuímos as probabilidades de perdas e garantimos um produto com mais qualidade para a exportação – que atenda a nova demanda exigida – e também na mesa dos consumidores, além de aumentar a competitividade internacional do país. Mas na prática, a maioria dos produtores não está preparada para entregar o grão de soja nos padrões estabelecidos e, para se adaptar, vão precisar instalar soluções tecnológicas para o controle da umidade do grão no processo de armazenamento.

Entre essas soluções, podemos citar a inclusão de sistema de gerenciamento e automação que utilizam sensores digitais de alta precisão, que ficam acoplados aos sistemas de armazenagens. Com o auxílio dessa tecnologia, é possível monitorar e ter mais controle sobre o pós-colheita, aumentando os lucros, já que evita consideravelmente as perdas. O produtor que passar a utilizar tecnologias na sua operação, conseguirá visualizar melhor a produção, tendo autonomia para fazer os ajustes necessários para garantir o padrão de qualidade exigido. É fato que o novo limite requerido pela China ainda está em discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC) e não há previsão do decreto final. Mas, durante essa espera, devemos investir em tecnologias que auxiliem no manejo dos grãos no pós-colheita, melhorando a qualidade e diminuindo as perdas do segmento para fortalecer ainda mais o agronegócio brasileiro, visando aumentar a nossa competitividade.

Por: Aline Merladete | Agrolink

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