O setor agrícola argentino está confiante de que as novas políticas presidenciais impulsionarão a indústria

O setor agrícola argentino está confiante de que as novas políticas presidenciais impulsionarão a indústria
Imagem: Pixabay

Os principais participantes do setor agrícola da Argentina acreditam que a vitória de Javier Milei nas eleições presidenciais do país, em 19 de novembro, resultará em reformas que impulsionarão a produção agrícola e as exportações, conforme indicado em um relatório do AgriCensus.

Milei comprometeu-se a realizar mudanças radicais para fomentar o crescimento do país, que enfrenta diversas dificuldades, incluindo a inflação de três dígitos, como mencionado no relatório de 20 de novembro.

As prioridades incluem o fechamento do banco central, a dolarização, cortes de gastos, privatização e a retirada do Mercosul – o Mercado Comum da América do Sul, conforme detalhado no relatório.

Em uma entrevista concedida a uma estação de rádio local em 20 de novembro, um dia após a eleição, Milei teria afirmado que planejava implementar essas mudanças políticas prioritárias ao assumir seu cargo em 10 de dezembro.

Embora a Argentina seja um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina, milho, soja e trigo, os produtores de grãos e gado do país têm solicitado cortes de impostos e o fim dos limites que, segundo eles, estão prejudicando as exportações, como informado em um relatório da Reuters de 20 de novembro.

Eleição de Milei na Argentina promete mudanças radicais no setor de grãos

A eleição de Milei abriu caminho para uma “mudança radical” na política agrícola. As principais associações rurais do país, citadas pela Reuters, enxergam nessa escolha uma oportunidade significativa.

“Abrimos uma grande oportunidade para colaborar e implementar mudanças radicais nas políticas atuais”, afirmou a Sociedade Rural Argentina (SRA) em um comunicado.

Ao parabenizar o presidente eleito, as principais associações agrícolas argentinas, CONINAGRO, afirmaram em um comunicado que “estamos no início de uma nova etapa”.

As Confederações Rurais Argentinas (CRA) instaram Milei a trabalhar com o setor agrícola e solicitaram a desregulamentação de impostos, conforme mencionado no relatório.

A eleição de Milei pode impulsionar os gastos dos agricultores locais. Isso, segundo Federico Trucco, CEO da Bioceres, pode elevar os preços dos grãos. Trucco mencionou em um relatório da Reuters em 21 de novembro que, se Milei implementar uma única taxa de câmbio e eliminar a tributação sobre as exportações (equivalente a um terço do preço internacional), os agricultores argentinos podem ver os preços dos grãos dobrarem em dólares reais.

Desvalorização do peso esperada como impulso para produção e vendas

A maioria dos comerciantes do agronegócio argentino, consultados pela agência Fastmarkets, espera que a desvalorização do dólar seja a primeira mudança positiva no setor agrícola. “Isso deve ajudar na produção e impulsionar as vendas dos agricultores”, afirmou Pablo Santamaria, corretor da Agrosud, ao AgriCensus.

O peso argentino estava em declínio, e as reservas cambiais baixas levaram o governo a introduzir taxas de câmbio múltiplas e controles de capital. Essas medidas foram problemáticas para os exportadores, segundo o relatório.

Na época do relatório, a taxa de câmbio oficial do dólar era de 668 pesos/US$.

“Se essa desvalorização ocorrer, os produtores podem triplicar seus ganhos. Isso impactará as vendas de trigo e cevada, praticamente congeladas. Também afetará as vendas de soja e milho, se houver produto suficiente”, segundo o analista Javier Preciado Patiño ao AgriCensus.

No entanto, a flutuação do dólar pode encarecer os produtos para o consumidor. Isso, por sua vez, contribuirá para o aumento da inflação. Na época do relatório, a inflação já estava em uma taxa anual de 140%.

“No início, será difícil, mas acredito que o crescimento se estabilizará com o tempo”, acrescentou Patiño.

Obstáculos políticos e perspectivas para o agronegócio sob a administração de Milei

Analistas e corretores afirmaram que Milei provavelmente não implementaria todas as mudanças propostas. Seu partido, a Aliança da Liberdade, detinha apenas sete das 72 cadeiras no Senado e 38 das 257 cadeiras na Câmara dos Deputados.

“Não sei até que ponto a falta de apoio dos membros do Congresso prejudicaria sua agenda”, disse Victor Martins, gerente de risco para a América Latina da Amius, ao AgriCensus.

Analistas argentinos sugerem que, apesar dos relatos sobre a saída do Mercosul e a mudança de alinhamento para os EUA, as relações comerciais não devem mudar no curto prazo.

“A princípio, o fim do Mercosul (ou a saída da Argentina do grupo econômico) poderia prejudicar o agronegócio argentino tirando o acesso preferencial ao mercado brasileiro, que é enorme. No entanto, após o impacto inicial, todos sairiam ganhando”, disse a analista da Agrural Daniele Siqueira.

Siqueira afirma que um governo alinhado ao livre mercado, como se espera na administração de Milei, pode tornar o agronegócio argentino mais competitivo. Isso se daria pela remoção ou redução dos impostos de exportação, controle reduzido sobre volumes de exportação e outras medidas econômicas.

Fonte: Oils & Fats International

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