fbpx
USD/BRL:
PT | EN | ES |      

Balança comercial de carnes do Brasil está muito positiva em 2020

por Guilherme Bezzarro

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 


As exportações brasileiras de proteína animal tiveram bom desempenho em outubro. O saldo geral continua muito positivo. Conforme já discutido, o resultado é consequência do forte ritmo de compras da China ao longo do ano, buscando suprir a lacuna de oferta formada pela peste suína africana (FSA). A notícia da reposição do rebanho suíno na China é recorrente, porém a produção de carne não vai aumentar repentinamente, pois a suinocultura tem um ciclo que precisa ser respeitado. É provável que a produção comece a apresentar uma recuperação gradual a partir do último trimestre de 2022.

Para os últimos dois meses do ano, a expectativa é que a China absorva volumes ainda mais expressivos de carnes brasileiras, avaliando o início do planejamento de estoques para atender a demanda no principal feriado do país, o ano novo lunar. Os números preliminares de novembro já mostram um bom crescimento no ritmo de embarques, que tende a se acelerar nas próximas semanas, ressaltando que a paridade cambial mantém a proteína animal brasileira altamente competitiva no mercado internacional. A título de comparação, uma arroba de boi gordo custa cerca de US $ 75 nos Estados Unidos, enquanto no Brasil a arroba custa pouco mais de US $ 48, o que sem dúvida reflete no preço da carne comercializada.



As exportações de carne suína continuam sendo o destaque da balança comercial do setor de carnes em 2020, com um crescimento emblemático de 42% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a outubro, o Brasil embarcou cerca de 839 mil toneladas de carne suína, contra 590 mil toneladas no mesmo período de 2019. Em termos de receita, o resultado é ainda melhor, de quase 1,86 bilhão de dólares, um aumento de cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. A China ainda responde por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne suína. Logicamente, essa dependência é a principal justificativa para que os embarques brasileiros se aproximem de 124 mil toneladas por mês.

O resultado da exportação mensal de carne bovina ficou dentro das expectativas do mercado. O resultado segue positivo, acima de 275 mil toneladas em equivalente carcaça. O destaque fica por conta das exportações de carne bovina para o mercado chinês, com mais de 100 mil toneladas embarcadas em equivalente carcaça. No acumulado do ano, o Brasil exportou cerca de 2,42 milhões de toneladas, um aumento de aproximadamente 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para frango, o desempenho geral é mais discreto em comparação com as outras duas proteínas. Esse movimento é justificado pelo menor volume exportado para importadores tradicionais, como os países do Oriente Médio e Japão. Com uma possível recuperação nesses mercados, a expectativa é de que o bom ritmo de embarques seja retomado. De janeiro a outubro, o Brasil exportou cerca de 3,43 milhões de toneladas, um aumento de 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita caiu cerca de 12,3% devido à variação cambial entre um ano e outro, derrubando o preço médio do frango brasileiro. É muito importante notar que os embarques de frango têm sido satisfatórios há alguns anos, o Brasil tradicionalmente exporta entre 4 e 4,3 milhões de toneladas, mantendo a liderança nas exportações mundiais desta proteína.

Com a expectativa de um ritmo excelente de embarques nos últimos dois meses, haverá reflexos no mercado interno. A alta na matéria-prima já provocou reação entre os principais frigoríficos brasileiros. A intenção é reduzir a capacidade de abate para mitigar o efeito do aumento de custos em 2020. O movimento de alta parece estar próximo do limite em todo o setor, e os consumidores finais já apresentam sinais evidentes de saturação, em forte processo de migração de consumo.

Por: Leonardo Gottems | Fuente: SAFRAS Latam