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Como vai a safra de milho pelo país

por Mateus Ramos

Imagem: Pixabay



Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou em seu Boletim de Monitoramento Agrícola referente a abril, no acumulado de chuva registrado entre os dias 1 e 21 de abril observa-se que as precipitações ocorreram, de forma mais significativa, na região Norte do país. Abrangendo, também, o Maranhão e parte do Mato Grosso, onde as lavouras de algodão e milho segunda safra foram favorecidas. Os menores índices de precipitação ocorreram no Mato Grosso do Sul, em partes de São Paulo e do Paraná, restringindo principalmente as lavouras de feijão e milho segunda safra em estádios reprodutivos. Em contrapartida, as poucas chuvas favoreceram o avanço na colheita da soja e do milho primeira safra.



A média diária do armazenamento hídrico entre os dias 1 e 21 de abril ficou abaixo do necessário para o pleno desenvolvimento das lavouras, que se encontra atrasado, em relação a safra anterior, nos estados acima. Esse atraso, principalmente do milho segunda safra, ainda é reflexo do calendário de plantio e colheita da soja postergado pela demora das chuvas no início dessa safra. 


Por meio dos mapas de armazenamento o boletim identifica que a cada intervalo de sete dias, a umidade no solo foi diminuindo ao longo do período do monitoramento. No entanto, o impacto no desenvolvimento das lavouras ainda deve mensurado, pois pode haver recuperação em função do estádio em que a maioria das lavouras se encontram.

No panorama da primeira safra a colheita avança nos estados produtores. 

Goiás: Colheita começou durante as últimas semanas e se intensificou bastante, chegando a cerca de 60% da área total colhida até o segundo decêndio de abril. As produtividades obtidas têm sido satisfatórias, porém, a redução na área plantada impactou nas previsões da safra, devendo apresentar uma produção menor do que a prevista nos primeiros levantamentos da safra 2019/20.

Minas Gerais: Colheita atingindo 3/4 da área total semeada, com o restante das lavouras já em fase de maturação. Previsão é de aumento na produção final em comparação à 2019/20, particularmente, pelo acréscimo de área plantada.

São Paulo: Restam poucas áreas a serem colhidas no estado e estima-se que a produção será menor em relação à safra anterior. Houve redução na área plantada nessa temporada, impactando também o resultado inicialmente estimado.

Paraná: Há um atraso no ciclo da cultura em comparação à média histórica da região. A estiagem ocorrida no início da safra postergou o ciclo de semeadura. Atualmente, a colheita está em fase final, ocorrendo de forma intensa, favorecida, inclusive, pelo clima seco registrado recentemente. De modo geral, mesmo com aumento na área plantada nessa temporada, estima-se uma redução na produção final, em relação a 2019/20, devido às oscilações climáticas ao longo do desenvolvimento das lavouras.

Santa Catarina: Colheita em fase final, restando poucas áreas a serem colhidas no estado. A estiagem ocorrida entre setembro e outubro de 2020, além da incidência elevada de ataques de cigarrinhas em algumas regiões reduziram o potencial produtivo da cultura. Dessa forma, mesmo com aumento na área semeada, a produção ficará abaixo da safra passada.

Rio Grande do Sul: As operações de colheita avançaram, mas em ritmo menos intenso, devido à priorização dos esforços para colheita da soja. Ainda assim, cerca de 77% da área total plantada com o milho no estado já haviam sido colhidas até a terceira semana de abril. Lavouras que foram semeadas mais cedo, especialmente no noroeste do estado, foram mais prejudicadas pela estiagem no início do ciclo e apresentaram perdas consideráveis. No geral, a produtividade média está superior à temporada anterior, 2019/2020, mas inferior à safra 2018/1019, considerada safra normal para o estado.

Bahia: Operações de colheita estão em andamento. No Centro Sul e Centro Norte do estado, o desenvolvimento das lavouras foi prejudicado devido ao déficit hídrico que perdurou até o final de janeiro e com isso, os registros são de perdas significativas nas produtividades. Já no Extremo Oeste, as condições climáticas foram melhores, rendendo lavouras mais vigorosas. No geral, a expectativa é de produtividade média estadual inferior à registrada em 2019/20, mas devido ao incremente de área, estimase uma produção superior

Já na safrinha ou segunda safra há impactos do clima e ataques de pragas como a cigarrinha. Ainda não é possível mensurar as perdas pelo atraso na janela de plantio nos dois maiores produtores que são Mato Grosso e Paraná. Confira o panorama:

Mato Grosso: Semeadura concluída, confirmando a estimativa de crescimento na área plantada em comparação à safra anterior. Quase 40% das lavouras foram implantadas fora do período considerado ideal para o plantio da cultura. Assim, surge a preocupação com as condições climáticas durante o ciclo, principalmente em relação a incidência de chuvas, já que essa época é costumeiramente de baixas precipitações no Centro-Oeste.

Paraná: Semeadura está praticamente finalizada. Até o momento, a maior parte das lavouras já implantadas está em condições regulares e boas, entretanto, a manutenção de baixas umidades nos solos pode impactar o desenvolvimento da cultura.

Mato Grosso do Sul: Plantio finalizado, porém em condições desfavoráveis, especialmente em relação à disponibilidade hídrica nos solos. A escassez de chuvas tem preocupado os produtores, tanto para emergência das plantas quanto para o seu desenvolvimento.

Por: Eliza Maliszewski | Agrolink