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Soja: Relações entre China e Brasil

por Mateus Ramos


Imagem: Pixabay




A demanda da China por soja tem atraído bastante atenção do mercado agora. No entanto, não por sua pujança já conhecida, mas pela sua recente ausência, mesmo que pontual, com novas compras tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil. Essa semana, porém, os chineses voltaram a comprar no mercado brasileiro, segundo informações apuradas pela Agrinvest Commodities, algo entre 15 e 18 navios da oleaginosa. 

"E isso acabou firmando os nossos prêmios. Os prêmios para julho, que chegaram a bater menos 40 cents da dólar por bushel em relação a Chicago - menor nível desde 2018 - agora voltam e estão em menos 16 centavos. Boa notícia pra nós, mas má notícia para os Estados Unidos, porque nossa soja está muito mais barata do que a deles e concorre diretamente com o programa de exportação americano", explica Eduado Vanin, analista de mercado da Agrinvest. 

Em abril, os números das importações de soja brasileira pela China já surpreenderam pelos volumes elevados que chegaram ao país do produto do Brasil. Foram 5,08 milhões de toneladas, contra pouco mais de 315 mil toneladas de março. E embora o total do mês passado seja menor do que o mesmo de 2020, as perspectivas seguem positivas. 

Afinal, como explica Vanin, a soja brasileira é agora a mais barata do mundo para os chineses e este é um quadro que deverá se estender, pelo menos, até o intervalo de agosto a setembro quando, aos poucos, os compradores começam a se voltar para a nova oferta que chega da safra 2021/22 dos Estados Unidos.



MUDANÇAS NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL

Ainda de acordo com informações da Reuters Internacional, as processadoras aumentaram suas compras, antecipando uma demanda maior por alimentação animal nos próximos meses diante de uma recuperação da suinocultura que continua sendo buscada pelos produtores chineses. 

Em pleno pico da retomada, novos surtos de Peste Suína Africana foram identificados, além de outras zoonoses,  e dificultaram o movimento. Na outra ponta, os preços dos suínos e da carne suína vinham amargando baixas agressivas, comprometendo ainda mais o quadro. 

Assim, as margens de esmagamento na China vinham também passando por momento bem difíceis diante dos elevados preços da soja, contendo a demanda, mesmo que pontualmente. Pontualmente porque, como mostram os números, as importações de soja pela nação asiática em abril, contabilizando todas as origens, somaram 7,45 milhões de toneladas, 11% a mais do que há um ano. 

Recentemente, o Ministério de Agricultura e Assuntos Rurais da China determinou que especialistas em nutrição animal trabalhassem em fórmulas com a menor utilização de farelo de soja, o que já vem se confirmando em algumas empresas.

De acordo com uma notícia reportada pelo portal internacional Global Times, a New Hope Liuhe, a maior indústria chinesa de ração, já está usando somente 10% de farelo em seus produtos desde o final de abril, comparado aos 13,2% de 2019 e 12,5% de 2020. 

"Temos adotado outros tipos de farelos e de proteínas para suprir e garantir as necessidades nutricionais dos porcos e frangos", disse a empresa ao Global Times, garantindo que já vinha trabalhando na mudança antes mesmo das mudanças recentes no comércio global da oleaginosa. 

MENOR DEPENDÊNCIA DAS IMPORTAÇÕES

O objetivo do Ministério da Agricultura é reduzir a dependência da China do uso do farelo de soja e, consequentemente, das importações, as quais deverão bater novo recorde nesta temporada, podendo superar 100 milhões de toneladas. 

Todavia, especialistas afirmam e reconhecem que este é um movimento que só se consolidaria e traria, de fato, menor dependência, no longo prazo. 

MENOR ÁREA PLANTADA COM SOJA?

Sim. A projeção é de que a área plantada com soja na China seja, aproximadante, 5,4% nesta safra 2021/22 e alcance pouco mais de 9,3 milhões de hectares, segundo projeções do Ministério da Agricultura local. O recuo se daria para dar mais espaço ao milho, que deverá ver sua área crescer mais de 3% nesta nova temporada. 

Por: Carla Mendes | Notícias Agrícolas